Confesso que não sabia como começar a resumir esses quatro meses que não postei no blog; muitas coisas aconteceram, coisas incríveis que me deram momentos plenos de felicidade!Retratarei-os, mas em partes e decidi que o mais lógico é começar cronologicamente.Sobre a aprovação, posso dizer que foi uma emoção impossível de narrar, mas posso citar alguns sintomas comuns: a apreensão, as mãos gélidas, o coração descompassado, o estômago em convulsões, o suor frio...Aí vem o nome na lista, a incerteza/incompreensão do fato (será que isso está certo?) a atualização da lista para conferir e a confirmação, alívio, euforia, eu senti que poderia flutuar e flutuei-mesmo que tenha sido apenas na mente!Tudo isso em questão de minutos... um instante diria eu bipolar, pois minha mãe havia visto a lista do uol que era do ano passado e obviamente eu não estaria nele!Contudo, nesse capítulo de minha vida vou dar ênfase ao que todo bixo deveria passar: o trote.Sofri um trote familiar muito divertido e no dia da matrícula lá fui eu de roupa velha com meu pai e minha fiel Felícia rumo à FFLCH.Ao chegar na História veio a pergunta inevitável de um veterano: "-É bixo?" o acenar afirmativo de minha cabeça foi a deixa para o ataque de tinta de alguns veteranos antes de eu entrar no auditório de história (onde preencheria a ficha de inscrição).Pobre Felícia, ficou suja aquele dia... Ao entrar faces desconhecidas e coloridas me olharam curiosas- haviam passado o mesmo que eu .Do outro lado do auditório, que dava para a saída, uma bagunça de buzinas e gritos que nos mantiveram paralisados por algum tempo se ouvia forte e incessante.
Sentei ao lado de uma guria que, por sorte ou destino, era muito simpática.Preenchemos a ficha, conversamos bastante e decidimos sair do auditório na mesma hora (até saimos numa foto do trote juntas).Sofremos mais uma rajada de tintas e um spray que soltava uma espuma branca cobriu nossos cabelos -só no fim soubemos que era isopor para estofado (imaginem o estado quando secou!).Todos os bixos tiveram que passar por uma gincana de micos e isso presos por um barbante.Uma batucada acompanhou-nos todo o evento.Ao termimarmos a gincana fomos divididos em grupos, o meu dirigiu-se para a Vital Brasil.Ainda acorrentados fomos de elefantinho cantando "Guto bate com x martelos x martelos x martelos [...] Então bate com x+1!Guto bate com x+1 martelos..." Já aprendemos o hino básico da FFLCH "Sou FFLCH bissexual, eu uso drogas, sou mais legal!" e alguns de nós recitaram poema pornográfico (nem era mais erótico, o ato era explícito) para os que nos contemplavam alheios ao acontecimento.Ajoelhamos numa igreja, oramos pela morte do Serra, levamos mais um ataque de tinta (dessa vez dos alunos, não sei se bixos, da São Judas porque cantamos "Não pago, não pagaria, educação não é mercadoria), atravessamos por dentro do Mc Donald´s cantando "Oso oso oso o bandejão é mais gostoso ".Após essa via sacra uspiana fomos ao semáforo onde passei até duas da tarde vendendo coisas e pedindo "Dinheiro pro Bixo?".Não nego que pareça violento esse ato mas posso dizer que todos os veteranos foram muito respeitosos e super preocupados com nossa segurança e limite físico, no semáfaro não fomos poupados de agua e minutos de descanso.Se não fosse com essas duas características (respeito e consciência ) eu não teria participado(assim como repudio esses trotes que fazem pessoas rolarem sobre animais mortos, entrar em coma alcoólico e coisas do gênero ).Todos nós bixos (e os veteranos também que já o foram) nos privamos de muitas coisas acreditando que seríamos recompensados com o sucesso e em parte fomos sim, mas o trote foi um inesquecível choque de realidade e uma forma de nos aproximarmos tanto os veteranos(fui adotada tenho pais postiços) quanto dos bixos que conheci lá, tudo muito proveitoso e inesquecível!
Em breve continuarei a contar minha "epopéia"



